for reasons unknown


Barulho. O gato ficou alerta esperando ver o que saía daquela porta. Tantas vezes sentou-se em frente a ela na esperança de a ver aberta. Tantos momentos para fugir e rumar ao desconhecido, com medo.... Deixou-se ficar, imóvel. À mínima ameaça sabia o que podia fazer: ou fugia ou atacava. Mas, por alguma razão estava calmo. Estava feliz sem razões para se preocupar em demasia.

A porta não se abriu. Por baixo, por uma portinha mais pequena, entrou na casa a gata da mesma dona. Os olhos que ele gostava tanto de sentir.

O gato suspirou - crise evitada.
- "Só chegaste a estas horas? Conta-me, o que andaste tu a fazer? Senti a tua falta!"
- "Eu também senti saudades de estar contigo. Não fui a lado nenhum em especial. Andei por aí a passear, a dar duas de letra, a petiscar, enfim..um dia bem passado".

- Está tudo bem, pergunta ele, certo da resposta.
-Claro que está, tu é que estás estranhíssimo.

O gato sabia que algo se passava, mas ainda assim, teve receio de estar mais alerta do que devia. Afinal de contas, instintos era com ele, ainda que por vezes se assustasse ao mínimo barulho, ainda que, por vezes, pinchasse a cada movimento que sentia. Afastou tudo da cabeça.

Os dias passavam-se, sempre iguais e sempre diferentes. Mas algo havia na gata que o intrigava. O olhar já não era o mesmo. Evitava-o a todo o momento. Sempre que ele a confrontava, ela respondia - "Tu é que estás estranho!" como se numa frase pudesse virar tudo a seu favor, com medo de lhe dizer algo que o pudesse magoar. Com medo de baixar a cabeça. Afinal de contas, admitia que ele tinha razão.
O gato continuou....meigo todos os dias, fazendo surpresas, deixando-lhe uma sardinha no prato, que ia procurar justamente para ela, ronronando de cada vez que por ela passava, deitando-se ao sol enquanto com aqueles olhos sonhava.

Até que chegou o dia em que ela lhe disse:
- "Sabes quando chego a casa e te pões, todo meigo, a fazer perguntas? Não gosto, cansas-me. Sabes a sardinha que costumas colocar todos os dias no meu prato? Pois é, enjoei de sardinha, já nem sequer a posso ver mais à minha frente, dá-me náuseas. Sabes quando passas por mim com o pêlo iriçado e ronronas? Não gosto. Está calor, e só me fazes sentir pior. E nos teus sonhos...sabes quando te deitas ao sol e sonhas comigo? Não sou eu. Deixei de existir para ti há muito."

Não ignorar os sinais.

I caught my stride.
I flew and flied.
I know if destiny’s kind, I’ve got the rest of my mind.
But my heart, it don’t beat, it don’t beat the way it used to.
And my eyes, they don’t see you no more.
And my lips, they don’t kiss, they don’t kiss the way they used to, and my eyes don’t recognize you no more.


3 comentários:

Catarina disse...

Infelizmente há-os assim! Aquelas pessoas que se acham no direito de desprezar so porque estão habituadas aquilo que tão bem o outro sabe dar... às vezes não há maldade! outras vezes é falta de amor...

escreves bem lauzinha:) e eu é que sei!!! gosto de ti linda:)

Rita disse...

decidi passar cá...
adorei...
;)
rita linhas

Hélène disse...

gostei minha lau!! gostei bastante!!=D beijinho*