my home



Todos podem oferecer felicidade.
todos [ - ] eu.

'coração do dia'


[...] era pouco o que tinha, | pouco o que dava, | mas também só queria | partilhar | a sede de alegria | — por mais amarga. 
Eugénio de Andrade

"Life is what happens while you are busy making other plans"


| ' I was dreaming of the past. And my heart was beating fast. I began to lose control. I didn't mean to hurt you, I'm sorry that I mad you cry. I didn't want to hurt you, I'm just a jealous guy. I was feeling insecure, you might not love me anymore. I was shivering inside. I was trying to catch your eyes, through that you were trying to hide. I was swallowing my pain.' |


...and still swallowing my pain.
 
   
To touch,
                                                 to move,
  To inspire -

- this is the true gift of dance.
Aubrey Lynch
foto: Lois Greenfield


young hearts run free

Foto de mico, in olhares.aeiou.pt

Tocou a campaínha do recreio. No meio da barafunda de guinchos e gritos saí para saltar à corda com as minhas amigas. Ele jogava à bola com os rapazes. Tinha o cabelo loiro e uns olhos grandes. Verdes. - Não tenho coragem - Tinha as calças coçadas nos joelhos e cheirava bem. Não sabe o meu nome e nunca me ofereceu metade do pão com queijo que comia todos os dias no recreio. Na aula de ginástica foi o meu par. Tínhamos que fazer o pino e ele segurou-me nas pernas. Disse "Não te deixo cair". Mas nunca soube o meu nome. Quando a aula acabou soou a campaínha e senti-me enjoada - Não tenho coragem - Corri até ele que fugia atrás dos amigos. Disse: "Toma". E ele agarrou no pedaço de papel. "Respondes-me amanhã".

Queres namorar comigo?
- sim
- não
- talvez

Sim. Ele não sabe o meu nome e não me deixa cair.

O que sou toda a gente é capaz de ver.
Mas o que ninguém é capaz de imaginar é até onde sou e como.

                                                                                                              Miguel Torga

Oxalá um dia eu to possa mostrar. 
quando olhares ao espelho e eu não te reconhecer.
oxalá que não demores.


porque sou maior que muito
e causo urticárias.



that home




onde as minhas pernas se cruzam nas tuas. onde há calor e me arrepio de frio.
onde gosto de chamar por nós.

merda.

Foto de Jackeline Chichetti in olhares aeiou.pt

"Ouve, merda, gosto de ti. Gosto da tonalidade dos teus olhos e das tuas mãos nos meus ombros quando fazemos amor, das pernas que se enrolam com força nas minhas e me atam, me prendem, me imobilizam, me impedem de sacudir as ancas, em avanços e recuos, à medida que me beliscas, e me mordes, e me insultas e acabas por morrer como um bicho pequeno, de súbito inocente, indefeso, sem rugas, numa cascatazinha de gemidos magoados, de cara transtornada como se fosses chorar." 

António Lobo Antunes, in "Auto dos Danados"

Íssimo

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
O Álvaro de Campos fala e sente por mim, hoje.

lullaby


Always and forever
Be with me
We'll have love aplenty
We'll have joys outnumbered
We'll share perfect moments
You and me

i wanna be your lover baby!



Não sei quem inventou as camas de solteiro, nem os copos só com uma escova de dentes. Nem sei porque é que preciso hoje de meias para manter os pés quentinhos.

" It takes two when it used to take only one".



Podia hoje desenhar as mais bonitas letras do alfabeto. Podia hoje saltar rir brincar com os pés bem altos e longe do chão. Gostava de bufar aquelas flores brancas que parecem ter pêlo e que nunca soube o nome. E podia também ver todas as formas dos animais nas nuvens. Podia inspirar com força.


Mas corre em mim aquilo que pode ser um estado depressivo, saudosismo, patetismo, dúvida [carradas delas] ou mais qualquer coisa que já havia ponderado. Acho que lhe chamo tristeza. Triste por tudo aquilo que pode ser e mais qualquer coisa que entretanto já ponderei.

olá, almofada

fuck



"Quando vires os teus olhos a verem-te,
quando não souberes se tu és tu ou se o teu reflexo no espelho és tu,
quando não conseguires distinguir-te de ti,
olha para o fundo dessa pessoa que és e imagina
o que aconteceria se todos soubessem aquilo que só tu sabes sobre ti."

José Luís Peixoto, Antídoto
| foto de titdemon | deviantArt.com

os meus c's

O meu nome começa por C. Sou cansativa, carinhosa e caricata. Sou corajosa e covarde, consciente e raramente estou calada, por isso, sou também comunicativa. Normalmente estou certa mas sou ciumenta e casmurra, chata até ao cansaço. Tento ser cuidadosa e esgoto-me ao crítico. Doem-me as costas e devia ter ido correr. Gosto de ser cínica quando as chagas do coração falam por mim. Sou uma chorona nata mas quase sempre choro com classe. Acho-me entendida em cinema e gosto de pensar que sou culta. Sou uma criança em ponto não muito grande, craque a fazer asneiras, que gosta de casa e de colo. Amo cães e cavalos. Continuo a ser complicada e caprichosa. No corpo e na alma.
E posto isto, confesso que gosto dos meus C's se bem que há imensos que preferia que não existissem, por isso nem sequer os escrevo, para não ser mais catraia. Vou tomar um café. E a seguir quero um cigarro e uma cerveja!

o desejado


Cena XV
JORGE – Romeiro, romeiro! quem és tu?!
ROMEIRO (Apontando com o bordão para o retrato de D. João de Portugal.) – Ninguém!

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, Acto II


| foto de mirandela pedro| olhares.aeiou.pt|

happy we'll be


"It's far beyond the star
It's near beyond the moon
I know beyond a doubt
My heart will lead me there soon."
Frank Sinatra

|Foto de DDiArte | olhares.aeiou.pt |

la nuit à Paris


'Sharing different heartbeats in one night'

A torneira pingava as últimas gotas. Cobri o rosto da noite e confiei que a água tépida me conseguisse disfarçar o olhar. Olhei disfarçadamente o espelho e a torneira ainda pingava. Vi um sorriso. Aqueles sorrisos bonitos, aqueles que arrancam os pés do chão e nos sugam a alma. Aquele sorriso que, embora familiar, me era demasiado estranho. Olhei mais à frente e vi-te os olhos negros carregados de uma estranha e complacente ternura. Mas não arrancou um pé do chão. Depois implorei ao espelho que me desse imagens embaciadas pelo calor porque não gosto de definição. Então aí vi - um sorriso daqueles que nos sugam a alma, os olhos negros carregados, um sorriso a gritar saudade, uma ternura alheia. Foquei as luzes, os meus pés, a parede que senti estar mais carregada de tinta vermelha, as minhas mãos que se abriram e fecharam e estagnaram. Perdi-me em 2 metros quadrados e a minha alma foi sugada em ti. Depois olhei as tuas mãos, o teu sorriso familiar e estranho, os teus olhos e a ternura, as tuas mãos calejadas de saudade a aceitar um carinho perdido há tanto, vi-te nos olhos lamento e inspirei e a torneira ainda pingava.


Não vou voltar àquela noite de Paris.

|Foto de Vera da Veiga Ventura | olhares.aeiou.pt |


A INSUPORTÁVEL LEVEZA DE SER






.

corropio


foto de Filipe Ventura Alves


Uma estrela ao nascer
é expansão em luz e brilho
E ser uma flor ao florir
é como o sol no teu olhar
uma chama imensa, o fogo eterno
incandescência em turbilhão.

Sou eu quem canta, eu quem dança, é o corropio do coração.

Uma estrela ao descer traz um desejo, um sincero crer
Neste céu a luzir, mapa divino a decifrar
como uma crença ou um apelo
a permanência da paixão.

Sou eu quem canta, eu quem dança, mas é teu meu coração.

E este desejar
que não acaba não.
Louco, procurar por algo que não seja em vão.

Uma estrela sem querer
E fui na vida
num profundo ser

com o seu reluzir
astro distante a flamejar.

Como uma dança, o fogo eterno, incandescência da paixão.

Sou eu quem lança ao mundo apelo
ao corropio do coração

E este desejar
que não acaba não
Louco, procurar o algo que não é em vão.

Dazkarieh 'Estrela de Cinco Pontas'


as palavras gastas

foto de António J.S.

(...)
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
(...)
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
(...)
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
(...)

Eugénio de Andrade

hoje e agora digo um adeus ao adeus