fuck
os meus c's
o desejado

Cena XV
ROMEIRO (Apontando com o bordão para o retrato de D. João de Portugal.) – Ninguém!
| foto de mirandela pedro| olhares.aeiou.pt|
happy we'll be

It's near beyond the moon
I know beyond a doubt
My heart will lead me there soon."
Frank Sinatra
la nuit à Paris

Não vou voltar àquela noite de Paris.
corropio

é expansão em luz e brilho
E ser uma flor ao florir
é como o sol no teu olhar
uma chama imensa, o fogo eterno
incandescência em turbilhão.
Sou eu quem canta, eu quem dança, é o corropio do coração.
Uma estrela ao descer traz um desejo, um sincero crer
Neste céu a luzir, mapa divino a decifrar
como uma crença ou um apelo
a permanência da paixão.
Sou eu quem canta, eu quem dança, mas é teu meu coração.
E este desejar
que não acaba não.
Louco, procurar por algo que não seja em vão.
Uma estrela sem querer
E fui na vida
num profundo ser
com o seu reluzir
astro distante a flamejar.
Como uma dança, o fogo eterno, incandescência da paixão.
Sou eu quem lança ao mundo apelo
ao corropio do coração
E este desejar
que não acaba não
Louco, procurar o algo que não é em vão.
Dazkarieh 'Estrela de Cinco Pontas'
as palavras gastas
foto de António J.S.gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
(...)
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
(...)
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
(...)
Eugénio de Andrade
let's pretend
Let's not get lost in this
I know it is, I know we could
I guess we surely would
Let's pretend it's not
It doesn't mean a thing
Let's not blow it out of all sense
As though it meant so much
It's always thought about for weeks
Not every time your lips meet mine, I think of her
But when her hands reach out, I think of you
na palma da minha mão
tenho ciano, ametista, bronze, coral e quantum. sonhos meus quando o medo me deixa tombar. veias que me lembram quem és.
restos para deitar ao lixo, muitas linhas traçadas para escolher a que gosto mais. um coração a pulsar baixinho e vísceras envergonhadas.
sinto um formigueiro.
diz lá 'quem és tu, de novo' para te estender a mão.
E vejo nascer no espelho mais uma ruga
Palma, sempre Palma.
a birra
Fartei-me de todos porque embirraram comigo.

Embirrei com lembranças e embirrei com as novidades.
Gastei lamentações e o silêncio aborreceu-me.
Voltei ao ontem, cansei-me, voltei ao hoje, não gostei, fiquei no limbo.
Quase destruí o computador pela impaciência, quando fiquei paciente, fartei-me de mim.
Fartei-me de falar e quando me calei, fartei-me mais um pouco de mim.
Saturei o espelho e ele saturou-me a mim.
Cansei-me de mim e o 'mim' também se cansou.
Entretanto perdi-me e não me vou chatear mais.
2 bang bang
O que é que quer dizer uma menina gostar de um menino ou um menino gostar de uma menina? Quer dizer: fazerem tudo um pelo outro. O tudo é que pode ser maior ou mais pequenino. E o que quer dizer um menino gostar de uma menina que também gosta desse menino? Isso é o fim do mundo.
De vez em quando, muito de vez em quando, há um fim do mundo. O mais engraçado é que ninguém nota. O menos engraçado é que ninguém aprende. Isto é: ninguém sabe nem como começa nem como acaba, nem como se repete. Para dizer a verdade nem se sabe como dura um fim do mundo em que duas pessoas podem fazer tudo, são tudo, sem mais ninguém. Não está bem.
(…)
A vida não é assim uma sucessão de pequenos fins mas uma sucessão de pequenos milagres e não digo mais nada até tu chegares para te começar a morder. Só, só até doer.
(…)
Pedro Paixão, in Histórias Verdadeiras (Coração)
That awful sound, bang bang
the popping bubbles

Não te quero desvendar quantas gavetas enchi já de papéis, no desejo das palavras te lembrarem, não te quero falar dos meus sonhos ou da pele ou da carne imaginárias que procuro durante a noite, não te vou dizer que estremeço e tenho medo de trovões e nunca vais saber que gosto da chuva a bater-me na cara.
Nunca vais saber que cheiro o sabonete antes de entrar para o banho ou como eu gosto do teu sorriso. Nunca te vou contar a história de quando me enfiei com 2 anos num buraco e abri o meu lábio, porque nunca te vou mostrar que a cicatriz ainda se nota no meio do lábio. Nunca me vais ver a correr pela relva como uma menina, nunca vais saber que gosto de me descalçar no cinema. Nunca te vou mostrar os meus 27 relógios porque nunca vais saber que compro compulsivamente relógios, assim como nunca te vou contar que tenho cinco almofadas na cama.
Nunca vais saber que gosto de comer tostas em pé a ler revistas de moda. Não te vou dizer que tremo quando olhas para mim, porque também nunca te vou dizer que os teus beijos me deixam a tremer. Também nunca te vou dizer que quando ficas de boca aberta pareces um pateta. Nunca te quero dizer aquilo que espero que não te apercebas.
Porque se algum dia souberes de alguma coisa, coisas que eu nunca te vou dizer nem fazer nem contar nem mostrar, alguma das coisas que nunca vais saber... vais aperceber-te daquilo que não te quero dizer. E podes ir embora.
domingo
um outro melhor bom dia - amanhã, talvez

Receita para o 'enquanto':
- Manter ambos os pés no mesmo sítio. Não um à frente e outro atrás.
- Esquecer feridas, ignorar quando a cicatriz arde na pele, não lembrar do 'quanto doeu'.
- Apreciar a doçura de um sorriso.
- Responder a mensagens, enviar cartas e e-mails e ligar quando bem apetecer.
- Dançar antes e depois de tudo, a qualquer hora (ainda que pareça estranho).
- Ficar horas em silêncio e apreciar cada um dos 60 minutos.
- Abraçar, pelo menos, 20 vezes por dia.
- Começar o dia com um beijo.
- Não remoer palavras.
- Acordar serena.
- Enviar os textos que escrevi para quem os escrevi.
- Sonhar acordada e não fugir.
- Sentir saudades e ignorar as borboletas no estômago.
- Gostar hoje e gostar mais amanhã.
Por isso, quero andar na corda bamba e quero saber que nada é meu - com a certeza de dar e ir de coração aberto [se é que ainda me lembro].
Enquanto for só ternura de Verão | Eu vou | Enquanto a excitação der para um carinho | Eu dou| Traz uma leveza | Ah, mas com certeza| Eu dou | Um outro melhor bom dia | Mas não ficará só a sensação de cor | Nem sei o que o coração irá dizer de cor | Se o Inverno for, depois, duro demais.
o sonho
"Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada. Sozinho, diante da campa. O amor é a solidão."
José Luís Peixoto
in «Uma Casa Na Escuridão»
a elegia do mimo

Que luta temos nós de travar contra este sentimento manhoso e tão arrebatador que nos invade a espinha e nos consome o cérebro... Desesperamos sem mimo. Faz-nos falta. As 24h do dia sabem melhor quando sabemos que no final nos deitamos no sofá e temos o mimo.
Beijos são fantásticos, sexo é extraordinário [a criação mais soberba de Deus e dos Homens]. Mas o mimo... Deixarmos encostar a nossa cabeça num ombro. Deixar dedos a tocar o cabelo. Abraços apertados. Beijos na testa. Beijos no rosto. Massagens nas costas, massagens nos pés. Cócegas. MIMO. Certo é que após o mimo, o sexo é óptimo. E continua a ser óptimo se depois do sexo vier mais mimo, até os pelos se eriçarem. Para depois possivelmente haver mais sexo.
Falo de cor de sentir[es] que já não me recordo.
Costumam dizer que sou mimada. Não sou. Tenho é uma fome incansável de mimo. Uma paz que não sossega e que - apenas - quer mais.
Faz de mim Mulher.
muito pouco
E pouco é um pouco demais.
Muito pra mim é tão pouco.
E pouco eu não quero mais.'




