na palma da minha mão




tenho ciano, ametista, bronze, coral e quantum. sonhos meus quando o medo me deixa tombar. veias que me lembram quem és.
restos para deitar ao lixo, muitas linhas traçadas para escolher a que gosto mais. um coração a pulsar baixinho e vísceras envergonhadas.
sinto um formigueiro.
diz lá 'quem és tu, de novo' para te estender a mão.

Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga


Palma, sempre Palma.

a birra

Fartei-me de embirrar com todos.
Fartei-me de todos porque embirraram comigo.
Embirrei com lembranças e embirrei com as novidades.
Gastei lamentações e o silêncio aborreceu-me.
Voltei ao ontem, cansei-me, voltei ao hoje, não gostei, fiquei no limbo.
Quase destruí o computador pela impaciência, quando fiquei paciente, fartei-me de mim.
Fartei-me de falar e quando me calei, fartei-me mais um pouco de mim.
Saturei o espelho e ele saturou-me a mim.
Cansei-me de mim e o 'mim' também se cansou.
Entretanto perdi-me e não me vou chatear mais.

há birras e birras. esta foi uma daquelas.

2 bang bang


O que é que quer dizer uma menina gostar de um menino ou um menino gostar de uma menina? Quer dizer: fazerem tudo um pelo outro. O tudo é que pode ser maior ou mais pequenino. E o que quer dizer um menino gostar de uma menina que também gosta desse menino? Isso é o fim do mundo.

De vez em quando, muito de vez em quando, há um fim do mundo. O mais engraçado é que ninguém nota. O menos engraçado é que ninguém aprende. Isto é: ninguém sabe nem como começa nem como acaba, nem como se repete. Para dizer a verdade nem se sabe como dura um fim do mundo em que duas pessoas podem fazer tudo, são tudo, sem mais ninguém. Não está bem.

(…)

A vida não é assim uma sucessão de pequenos fins mas uma sucessão de pequenos milagres e não digo mais nada até tu chegares para te começar a morder. Só, só até doer.

(…)

Pedro Paixão, in Histórias Verdadeiras (Coração)

That awful sound, bang bang

the popping bubbles


Não te quero desvendar quantas gavetas enchi já de papéis, no desejo das palavras te lembrarem, não te quero falar dos meus sonhos ou da pele ou da carne imaginárias que procuro durante a noite, não te vou dizer que estremeço e tenho medo de trovões e nunca vais saber que gosto da chuva a bater-me na cara.

Nunca vais saber que cheiro o sabonete antes de entrar para o banho ou como eu gosto do teu sorriso. Nunca te vou contar a história de quando me enfiei com 2 anos num buraco e abri o meu lábio, porque nunca te vou mostrar que a cicatriz ainda se nota no meio do lábio. Nunca me vais ver a correr pela relva como uma menina, nunca vais saber que gosto de me descalçar no cinema. Nunca te vou mostrar os meus 27 relógios porque nunca vais saber que compro compulsivamente relógios, assim como nunca te vou contar que tenho cinco almofadas na cama.

Nunca vais saber que gosto de comer tostas em pé a ler revistas de moda. Não te vou dizer que tremo quando olhas para mim, porque também nunca te vou dizer que os teus beijos me deixam a tremer. Também nunca te vou dizer que quando ficas de boca aberta pareces um pateta. Nunca te quero dizer aquilo que espero que não te apercebas.

Porque se algum dia souberes de alguma coisa, coisas que eu nunca te vou dizer nem fazer nem contar nem mostrar, alguma das coisas que nunca vais saber... vais aperceber-te daquilo que não te quero dizer. E podes ir embora.

domingo


Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.

Pedro Paixão, Assinar a pele (conto)

um outro melhor bom dia - amanhã, talvez


Receita para o 'enquanto':
  • Manter ambos os pés no mesmo sítio. Não um à frente e outro atrás.
  • Esquecer feridas, ignorar quando a cicatriz arde na pele, não lembrar do 'quanto doeu'.
  • Apreciar a doçura de um sorriso.
  • Responder a mensagens, enviar cartas e e-mails e ligar quando bem apetecer.
  • Dançar antes e depois de tudo, a qualquer hora (ainda que pareça estranho).
  • Ficar horas em silêncio e apreciar cada um dos 60 minutos.
  • Abraçar, pelo menos, 20 vezes por dia.
  • Começar o dia com um beijo.
  • Não remoer palavras.
  • Acordar serena.
  • Enviar os textos que escrevi para quem os escrevi.
  • Sonhar acordada e não fugir.
  • Sentir saudades e ignorar as borboletas no estômago.
  • Gostar hoje e gostar mais amanhã.
Odeio planos. Odeio prazos. Odeio horas certas. Como tal, não faço ideia do 'amanhã' nem fico demasiado inquieta com tal. Não gosto do 'se', odeio o 'talvez'. Menos gosto do 'amanhã, talvez'.
Por isso, quero andar na corda bamba e quero saber que nada é meu - com a certeza de dar e ir de coração aberto [se é que ainda me lembro].

Chegou o Outono e mudei de ideias. Afinal gosto de planos.

Enquanto for só ternura de Verão | Eu vou | Enquanto a excitação der para um carinho | Eu dou| Traz uma leveza | Ah, mas com certeza| Eu dou | Um outro melhor bom dia | Mas não ficará só a sensação de cor | Nem sei o que o coração irá dizer de cor | Se o Inverno for, depois, duro demais.

Enquanto for bom.


o sonho

Para não me esquecer:



"Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada. Sozinho, diante da campa. O amor é a solidão."

José Luís Peixoto
in «Uma Casa Na Escuridão»

a elegia do mimo


Em tempos conturbados, senti uma necessidade quase absoluta de colocar o PC no colo e falar sobre o mimo.

Que luta temos nós de travar contra este sentimento manhoso e tão arrebatador que nos invade a espinha e nos consome o cérebro... Desesperamos sem mimo. Faz-nos falta. As 24h do dia sabem melhor quando sabemos que no final nos deitamos no sofá e temos o mimo.
Beijos são fantásticos, sexo é extraordinário [a criação mais soberba de Deus e dos Homens]. Mas o mimo... Deixarmos encostar a nossa cabeça num ombro. Deixar dedos a tocar o cabelo. Abraços apertados. Beijos na testa. Beijos no rosto. Massagens nas costas, massagens nos pés. Cócegas. MIMO. Certo é que após o mimo, o sexo é óptimo. E continua a ser óptimo se depois do sexo vier mais mimo, até os pelos se eriçarem. Para depois possivelmente haver mais sexo.

Falo de cor de sentir[es] que já não me recordo.
Costumam dizer que sou mimada. Não sou. Tenho é uma fome incansável de mimo. Uma paz que não sossega e que - apenas - quer mais.
Faz de mim Mulher.

like a cover sleeve


If You ever miss me.

battle for the sun

Ontem...

encontrei o sol.

muito pouco



'E muito pra mim é tão pouco.
E pouco é um pouco demais.

Muito pra mim é tão pouco.
E pouco eu não quero mais.'

A única - Maria Rita a usar a minha alma

aviso à embarcação



'Eu não sou boa nem quero sê-lo.
Contento-me em desprezar quase todos,
odiar alguns, estimar raros e amar um'.


Florbela Espanca

Girl, this is thriller, thriller nightriller night




Deixa um legado.
E merece espaço neste meu espacinho ;)
(saudades de quando sabia esta coreografia de trás para a frente)

a alice e o labirinto


Encruzilhada.

Estarrecida.
Perdida.
Baralhada com o que os doutos chamam de O martírio da espera [que passe, que não passe].
Enquanto tudo ou nada [?] é possível....


...aguardo a tranquilidade de saber a vida curta demais para te amar.
Procuro-me no caminho.

a obra-prima da minha ira



I wanna hear what you have to say about me
Hear if you're gonna live without me
I wanna hear what you want
What the hell do you want?

I want you here
'Cause nothing is taking me down, down, down
Except you my love. Except you my love.

retrato de uma história

Jardins de Sintra

Era uma tarde daquelas, iguais a tantas outras que, sendo sempre iguais a outras tantas, nada têm de mágico. Era uma dessas tardes. Hoje entendo o por quê de ter sido tão única [estava à tua espera]. Chegaste. Sentei-me ao teu lado. Deste-me um beijo. Não daqueles beijos que sabem a primeiro. Aqueles iguais a tantos outros que a rotina habituou a dar. Hoje matava por um beijo igual aquele [igual a tantos outros]. Com um sorriso [banal - o que de mais doce senti] disseste-me ter comprado um livro do Oscar Wilde. Perguntaste-me se eu gostava. Não precisei de responder e sorri. Senti que não ias gostar.

Esta noite calma e vazia e só e cheia de tanto e sem nada, pergunto-me se gostaste. Remoo a pensar se gostaste de frases como 'A vida é apenas um espaço de tempo horroroso cheio de momentos deliciosos', ou como

'Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico. Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez e acaba com o pecado porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro e apenas neste que ocorrem os grandes pecados do mundo'.

Sabes, foi também ele que escreveu... 'Se não demorares muito, posso esperar por ti toda a vida'.

Nessa noite alcancei 'o outro lado do jardim' quando me agarrei a ti.

2 tardes | 3 noites | recordo retrato com imagem definida | melodia com todas as notas.

long nights



I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know

I've got this light
And the will to show
I will always be better than before


"Happiness only real when shared" Into the Wild

notas...




... como no cinema e na música.

sus [INS] piro


'Porque tudo na vida pode ser um filme,
tudo na Vida pode ser como no Cinema.'

P.P.

[imagens, sons e palavras na minha história que se confundem no 'enquanto...']


Tiananmen Square | 5 de Junho de 1989



20 anos após o massacre de Tiananmen.
Precisamos todos os dias de um 'Tank Man'.
O século XX. Os direitos humanos.



em memória das vítimas que não podem ser esquecidas